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O fim da ilusão dos Brics

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em 1499, Américo Vespúcio passou próximo à costa norte da América do Sul, a caminho das Índias Ocidentais, como então era chamado o continente americano. Só anos depois, quando o navegador florentino regressava de uma viagem ao Brasil, concluiu que não podíamos ser um prolongamento da Ásia.

Mesmo após tal descoberta, o termo Índias Ocidentais continuou a ser utilizado pela Companhia Holandesa, entre outras. Responsável pela ocupação do Nordeste brasileiro no século XVII, essa empresa desenvolveu uma organização mais capitalista no comércio internacional, cuja origem antiga remonta às redes fenícias de cidades mercantes, centenas de anos antes de Cristo.

Os Países Baixos apenas iniciariam a transição do mercantilismo para os mercados modernos. Estes se globalizaram, se desglobalizaram e se globalizaram novamente. Mas nunca estiveram tão perto de ver a Ásia predominar. Estamos entrando na Era do Dragão. E talvez em um neomercantilismo.

Países como China e Índia se distanciaram muito daquelas antigas fontes de bens primários e bugingangas. A Chíndia exporta também em massa produtos e serviços de alta qualidade. Não há nenhum outro país ou região comparável. O acrônimo Bric equivale à confusão criada com as Índias Ocidentais na geografia comercial.

O Brasil voltou a ser confundido com a Ásia. Ninguém acredita que somos a costa oriental do Sudeste Asiático como na época de Vespúcio, mas de alguma forma nos igualamos a partir de uma invenção do sistema financeiro. Sonhamos em ser um dos grandes emergentes que dominarão a economia no mundo. É o nosso excepcionalismo.

Quanto mais cedo despertarmos, melhor. Em comum com a Chíndia, o Brasil tem apenas o tamanho. Nos últimos três anos, crescemos em média 1/3 do que cresceram as potências orientais. Por outro lado, quando o Ocidente entrou em recessão em 2008, acompanhamos a queda, ainda que numa intensidade menor (-0,6%). O mesmo ambiente de forte desaceleração parece acontecer agora no fim de 2011.

Em matéria de dinamismo econômico, o Brasil é um país dividido. Seus setores industriais mais avançados seguem padrões ocidentais de derretimento. Já os setores tradicionais ligados às commodities ancoram-se na demanda do Oriente. O resultado é um crescimento intermediário entre os dois grupos, porém mais próximo dos baixos níveis dos países já desenvolvidos.

A pauta do que exportamos se concentra nos itens básicos. Somos menos diversificados do que éramos há dez anos. A substituição dos EUA pela China não trouxe vantagens. A indústria nacional desenvolveu dependência estrutural das importações, de modo que mudanças abruptas no câmbio não ajudam, mesmo quanto ocorre desvalorização.

O peso do Brasil no comércio é residual e vem caindo. O Brasil responde por 1% do fluxo comercial global, ou seja, bem menos do que há 50 anos, e um décimo hoje da Chíndia, com seus 2,5 bilhões de pessoas. Por sua vez, a importância brasileira no PIB do mundo em PPP representará em 2011 só 1/6 da participação chinesa e 40% da indiana. O mero ranqueamento que nos coloca entre as maiores economias gera, como se percebe, falsas impressões.

Se o critério utilizado para o acrônimo da Goldman Sachs é político, a situação fica ainda mais complicada. China e Índia têm armas nucleares, a primeira é autoritária e a segunda tem indicadores sociais piores que os do Maranhão. A China não apoia nosso assento fixo na ONU. A Índia encontrou sozinha aprovação dos EUA. As visões na OMC tampouco coincidem. Isso tudo sem falar da Rússia.

O fim da ilusão chamada Bric não deve estimular, todavia, comportamentos orientalófobos. O novo protecionismo pune os consumidores sem gerar compensações à altura em empregos locais. Mal ou bem, os asiáticos são agora atores imprescindíveis. Constatar que não somos a extensão deles é o início para nos inserirmos conscientes das novas rotas do comércio, da nossa menor importância relativa e dos desequilíbrios na condição de global players. Não somos China nem Índia ocidentais.

*MARCELO COUTINHO é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Iuperj.

Fonte: O Globo

Brasil começa a negociar ação conjunta com Brics

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou ontem a consultar os ministros de Finanças da China, Rússia e Índia e de outros integrantes do G-20, como a Argentina, para sondar a possibilidade de uma ação conjunta dos países emergentes na escolha entre os candidatos à sucessão no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo brasileiro aguarda o término, amanhã, do prazo de apresentação das candidaturas para oficializar o apoio a um dos candidatos. Embora haja informações no governo de que a candidatura preferida em Brasília é a da ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, que teve ótimo relacionamento com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no G-20, o Ministério da Fazenda, oficialmente, diz se ater ao critério de mérito e compromisso com as reformas do Fundo e maior participação dos emergentes nos cargos de liderança da instituição.

Às vésperas do encerramento do prazo para apresentação das candidaturas ao cargo de diretor-gerente da instituição, a disputa segue centrada na representante europeia e ministra de Economia da França, Christine Lagarde, e no presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens. Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey, é possível que ainda surjam outros postulantes, como o Cazaquistão, cujo governo ensaia lançar o presidente do banco central do país, Gregori Marchenko.

Ao analisar as duas candidaturas postas, Cozendey lembra que Lagarde conta com o apoio em bloco dos países europeus, à exceção da Espanha, e que Carstens teve o mérito de romper com o discurso único. “Isso foi importante porque tornou claro que não haveria candidatura única, que haveria um debate que permitisse aos países discutir as candidaturas”, argumenta.

Cozendey explica que a sondagem a ser feita pelo Brasil sobre intenção de apoio dos demais emergentes se impõe como espaço de diálogo entre essas economias. Segundo ele, com a antecipação da troca de comando no FMI, os países Bric ficaram sem tempo para articular uma ação conjunta em relação não somente às discussões sobre a reforma do Fundo, tradicionalmente chefiada por um europeu, mas também em relação à futura sucessão do Banco Mundial, comandado por um americano.

“Esse problema da antecipação e a necessidade de não deixar o FMI sem uma direção precipitaram um pouco essa discussão e impediu que se fizesse esse debate de forma conjunta dos dois organismos”, comenta. “O Banco Mundial é uma questão subjacente à essa debate sobre o FMI”, acrescenta ele.

Ao mencionar os critérios que o governo brasileiro considerará para definir seu candidato, o secretário listou – além do mérito e da análise do compromisso do candidato com a continuidade das reformas no FMI – também o posicionamento a favor da maior participação dos emergentes no processo decisório da instituição e a maior presença de latino-americanos no staff do Fundo.

Cozendey mostra que há, hoje, maior preocupação com a ausência de brasileiros em postos estratégicos no FMI. “O Brasil está sub-representado em todos os níveis do Fundo. Em parte, isso é por nossa culpa. Na prática, o Brasil está sub-representado desde a planta básica (os escalões técnicos)”, diz.

Nesse debate, porém, o governo brasileiro não tem apresentado nomes, ainda, e não tem tratado de cargos específicos. De acordo com o secretário, a busca por maior participação dos emergentes poderá ocorrer por meio da indicação de representantes de outras nacionalidades.

“A gente pode querer colocar pessoas que não sejam brasileiras ou latino-americanas. Podem ser pessoas de outras nacionalidades, mas que representem visões diferentes ou tragam experiências mais diversificadas para dentro da direção do fundo”, concluiu.
Fonte: Valor Econômico

Brics criticam protecionismos

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e, a partir de hoje, África do Sul, ainda enfrenta problemas de superaquecimento econômico, como pressões inflacionárias e bolhas de ativos, parcialmente em razão das políticas de estímulo das economias desenvolvidas, disse ontem o ministro de Comércio da China, Chen Deming, em um comunicado conjunto divulgado pelos países. Os ministros do Comércio do Brics, que estão reunidos na ilha chinesa de Hainan antes da cúpula dos líderes do grupo hoje, também reiteraram seu apoio coletivo à proposta da Rússia de se juntar à Organização Mundial do Comércio (OMC) neste ano, afirmou o comunicado.

A cúpula do Brics, que incluirá discussões sobre os desafios econômicos e financeiros globais, deverá produzir uma retórica positiva sobre a cooperação entre as cinco economias emergentes e, possivelmente, algum tipo de apelo por uma reforma do sistema financeiro internacional. Pela primeira vez, o presidente sul-africano Jacob Zuma participa do encontro. Os ministros também prometeram se opor a todas as formas de protecionismo comercial e a expandir o comércio e o investimento mútuos, declarou Chen no comunicado. De 2001 a 2010, o comércio entre as cinco nações cresceu a uma taxa anual de 28%, para US$ 230 bilhões, de acordo com o documento.

Em um comunicado conjunto separado, os ministros de Comércio do Brasil, da China, da Índia e da África do Sul expressaram preocupações semelhantes sobre os prospectos das negociações comerciais da Rodada de Doha. “O delicado equilíbrio dos conflitos alcançado durante dez anos de negociações contidas nos textos de dezembro de 2008 corre o risco de ser perturbado. Os ministros reafirmaram que as medidas de acesso ao mercado delineadas nesses textos representam uma contribuição sem precedentes dos países em desenvolvimento na história do sistema de comércio multilateral. Os países em desenvolvimento têm permanecido construtivamente engajados e os ministros estão dispostos a concluir a Rodada com base nessas modalidades delineadas”, disse o comunicado.

O evento, que coincide com as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington nesta semana, está programado para discutir questões globais financeiras e econômicas, como flutuações de preços de commodities – um tema sobre o qual a China espera que os países possam chegar a uma posição comum antes da reunião do G-20, em Cannes, na França, em novembro. Uma posição comum sobre tais questões econômicas poderia impulsionar o peso conjunto do Brics nas conversações do G-20. Líderes do G-20 declararam em novembro haver uma janela de oportunidade curta em 2011 para finalizar a rodada.

Dilma aproveita manhã livre para conhecer Cidade Proibida
Após dois dias de negociações para fechar negócios na China, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a manhã de ontem, na primavera de Pequim, para conhecer a Cidade Proibida. Acompanhada da filha Paula, de ministros e assessores, Dilma percorreu as alas dos palácios imperiais que abrigaram as dinastias Ming e Qing e deixou uma mensagem no livro de visitantes. “É uma experiência fantástica a visita à Cidade Proibida, onde a China de outrora mostrava a sua força e riqueza. Hoje, a China recupera em outras bases o seu desenvolvimento. É muito importante a parceria entre o Brasil e a China”, escreveu a presidente, no livro com capa dourada.

O governo comunista reforçou a segurança nas principais entradas da Cidade Proibida e interrompeu o fluxo de turistas no momento em que Dilma andava pelos pavilhões. A presidente quis saber por que todos os telhados ostentavam nas extremidades estatuetas de pequenos animais, como cachorros e dragões. “Acreditava-se que eles guardavam a casa contra os maus espíritos e traziam sorte”, explicou o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que fala mandarim. “Vocês vão ver, quando eu voltar, o que eu vou pôr lá no Palácio”, disse Dilma, em tom bem-humorado.

China ofusca demais países do Brics, diz estudo do Ipea
Apesar de ganhar cada vez mais importância no fluxo global de riquezas, o grupo das maiores economias emergentes do mundo, o Brics, ainda mantém relações assimétricas entre os seus membros, quanto em termos comerciais como de investimentos, com forte preponderância dos chineses sobre os demais países. A conclusão é de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que alerta para o risco de o caráter multilateral do grupo ser enfraquecido pela força chinesa nessas relações.

Maior economia entre os Brics, a China influencia o desenho da integração que o Brasil tem construído com o grupo, segundo o Ipea. O gigante asiático já é o maior parceiro comercial brasileiro, mas a pauta de exportações do País se concentra em produtos primários e commodities, assim como ocorre nos embarques para Índia e Rússia. Apenas nas vendas para a África do Sul a participação de manufaturados é maior que a de básicos.

Apesar de manter superávit comercial com os Brics, ressalta o estudo, o Brasil em geral tem exportado bens primários e intermediários para o grupo e importado manufaturados mais sofisticados. “A questão é que isso pode, no médio e longo prazo, dificultar, ou até bloquear, os anseios brasileiros por integrar-se ao mundo industrializado desenvolvido.”

Por isso, o Ipea alerta que o Brasil precisa buscar alternativas para ampliar as exportações de bens industrializados para o grupo, ainda que a demanda chinesa continue concentrada mais em alimentos, infraestrutura e energia.

Segundo o Ipea, os fluxos de investimentos entre os países também revelam a forte assimetria do grupo. Mas apesar de os investimentos brasileiros no Brics ainda serem modestos, um terço das empresas brasileiras já estariam pensando em buscar oportunidades nesses países, principalmente nos setores de infraestrutura na China e na Índia.
Fonte: Jornal do Comércio

Dilma passará quatro dias na China para negociar acordos econômicos e comerciais

segunda-feira, 21 de março de 2011

Em três semanas, a presidente Dilma Rousseff fará a mais longa de suas viagens ao exterior. Nos dias 12, 13, 14 e 15 de abril, ela irá a Pequim, Sanya e Boal, na China. A visita será basicamente econômica, embora a agenda inclua reuniões com o presidente chinês, Lu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao. A pedido de empresários e em favor do equilíbrio da balança comercial, a presidenta busca um acordo sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês.

Dilma participará de um seminário econômico da cúpula dos Brics – bloco formado pelo Brasil, pela Rússia, Índia e China e formalmente, a partir de abril, pela África do Sul – e do fórum dos países asiáticos. No fórum, Dilma foi convidada pelo presidente chinês para discursar depois dele.

Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo a Câmara de Comércio Brasil-China, as relações comerciais entre os dois países cresceram nos últimos anos 47,5% (ao ano), tendência que se repete nas relações dos chineses com vários países de economia emergente.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota , disse que há um superávit de mais de US$ 5 bilhões em favor do Brasil nas relações com a China. No retorno para o Brasil, a presidenta poderá passar pela Grécia, mas essa viagem ainda não está definida, segundo assessores. Na Grécia, ela deve se encontrar com o presidente, Károlos Papúlias, e o primeiro-ministro, Georgius Papandreu.

Antes de ir à China, Dilma vai a Portugal nos próximos dias 29 e 30. A presidenta acompanhará o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que será homenageado, no dia 30, com o título de doutor honoris causa pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra – uma das mais antigas do mundo, criada no século 13.

Em Lisboa, Dilma deverá se reunir também com o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates. Portugal vive atualmente um momento político distinto porque Cavaco e Sócrates são de correntes políticas opostas.

Fonte: Export news.

Brasil está caminhando para conversibilidade da moeda, diz Meirelles

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Para presidente do BC, pontos vistos como limitações são aplicação das leis referentes à lavagem de dinheiro

Daniela Milanese

LONDRES – O Brasil está caminhando para a conversibilidade da moeda, afirmou nesta segunda-feira, 27, em Londres o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele lembrou que já foram tomadas várias iniciativas nessa área nos últimos anos. “O Brasil está se movendo nessa direção”, disse. Ele avaliou que se trata de um processo gradual, já que ainda há restrições, como a proibição de contas em moeda estrangeira no País.

No entanto, o presidente do BC disse que alguns pontos vistos como limitações referem-se, na verdade, à aplicação das leis referentes à lavagem de dinheiro. “O que as pessoas veem como restrição é, na verdade, a lei de lavagem de dinheiro, aplicada de forma rigorosa no Brasil.”

Meirelles defendeu a atuação do Banco Central no mercado de câmbio para a construção de reservas internacionais, que têm o objetivo de proteger o Brasil de crises futuras. “O câmbio brasileiro nunca foi tão livre como agora”, disse ele, ao responder ao questionamento de um investidor, após palestra promovida pela BB Securities. “Agora estamos comprando dólares, isso é completamente diferente de uma intervenção no sentido de tentar fixar uma taxa de câmbio. Estamos construindo um seguro contra crises.”

Petrobrás

Passada a operação da Petrobrás, agora há uma lista de empresas vindo a mercado, disse em Londres o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Somente a capitalização da estatal, de cerca de R$ 120 bilhões, supera tudo o que foi emitido no País neste ano. A necessidade de revitalização do mercado de capitais brasileiro foi discutida por muitos anos, lembrou Meirelles. O País já contava com órgão regulador e regras prontas, avaliou. “Mas, no final das contas, era preciso a previsibilidade econômica para decolar.”

Após palestra para investidores promovida pela BB Securities, Meirelles foi questionado sobre o aumento da participação do governo na Petrobrás. Ele respondeu que a empresa sempre teve o governo como principal acionista e sua participação segue abaixo de 50% (subiu para 48% depois da capitalização). “As ações foram vendidas e foi um grande sucesso.”

Meirelles fica até amanhã em Londres, onde participa de reuniões com investidores.

Fonte: Agencia Brasil

O Brasil é a estrela dos Brics

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Existem semelhanças entre Brasil, Rússia, Índia e China, as nações em crescimento que inspiraram o economista americano Jim O”Neill a lançar o termo BRIC?

Para o português José Manuel Dias da Fonseca, CEO da MDS Holding, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, não há nenhuma relação entre esses países não para o mercado de seguros. A constatação surgiu recentemente durante uma rápida visita ao País, ao criar a MDS Brasil, companhia que já nasceu com uma carteira de R$ 600 milhões. No mundo, a MDS administra cerca de US$ 2 bilhões, com negócios que vão desde a Austrália até o Alasca. O que ele viu de tão especial no Brasil? “Culturalmente, o brasileiro é mais aberto aos seguros do que os chineses e os indianos. Economicamente, o País é muito mais avançado. Por isso, para o setor de seguros o Brasil é a estrela dos BRICs, garantiu o executivo em entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO Poucos setores foram tão afetados nos últimos dois anos com a crise internacional quanto o mercado de seguros. Há sinais de recuperação?

JOSÉ MANUEL DA FONSECA Como os países foram afetados de formas distintas, a recuperação também começa a surgir de maneira diferente. Na Europa, as economias mais prejudicadas pela recessão continuam ruins. A situação da Grécia é bem diferente da de Portugal, por exemplo. Na minha avaliação, até 2013 tudo voltará aos níveis normais, anteriores à crise, na maioria dos países desenvolvidos.

DINHEIRO Por que o grupo MDS se interessou pelo Brasil?

FONSECA O Brasil tem se comportado muito bem. Tem uma economia dinâmica e criativa. Por isso, projetamos que nossa operação cresça muito acima da taxa do PIB. É um país adulto do ponto de vista do seguro, muito melhor que a Índia e a China. A China cresce muito, mas é uma economia que não faz seguros.

DINHEIRO Por quê?

FONSECA Porque a China não está preparada para isso. Ainda é muito verde, não está madura. Enquanto o Brasil é uma economia muito mais interessante. Já a Índia até pouco tempo atrás não permitia a presença de companhias seguradoras ou corretoras estrangeiras. Mas aliviou um pouco as restrições recentemente. Mesmo assim, o governo da Índia hoje não permite que uma empresa estrangeira tenha mais de 29% do capital de uma seguradora indiana. Está em curso um projeto de lei para passar para 49%, mas há muita resistência interna. No Brasil não. Aqui, uma empresa que atua na área de seguros pode ser 100% estrangeira, o que dá uma abertura muito maior. É um mercado mais sênior, profissional. Além disso, está há mais tempo no mercado mundial. Do ponto de vista das multinacionais, principalmente para o setor de seguros, o Brasil é o melhor. Culturalmente, o brasileiro é mais aberto aos seguros do que os chineses e os indianos. Economicamente, o País é muito mais avançado. Por isso, para o setor de seguros o Brasil é seguramente a estrela dos BRICs.

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“Copa e Olimpíada geram muitos seguros. Queremos tirar proveito disso”

Obras no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro

DINHEIRO Com a crise, os mercados emergentes conquistaram mais destaque no campo dos seguros?

FONSECA Sim, com certeza. Por isso, a MDS acelerou o processo de crescimento global. Temos duas regiões em que pretendemos nos firmar. Uma das regiões é a ibero-americana. Em Portugal já somos líderes de mercado e estamos trabalhando por uma posição na Espanha. Por isso, na América Latina temos nos esforçado para crescer no Brasil, onde já somos o terceiro maior broker, atrás apenas da AON e da Marsh.

DINHEIRO Mas a MDS já atua em todo o mundo, não?

FONSECA O Grupo Sonae, principal acionista da MDS Holding, tem operações em praticamente todos os países europeus. Pela MDS, temos 32% da quinta maior corretora de seguro do mundo, a britânica Cooper Gay. Por meio dela, estamos na Alemanha, na Rússia, na França, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos,na China, no Canadá, na Austrália e em Cingapura, e muitos outros países.

DINHEIRO Por que o mercado de seguros foi tão prejudicado nos últimos anos?

FONSECA A atividade seguradora está muito relacionada ao nível da economia. Não havendo investimento, há menos procura por seguro. Por outro lado, com a crise as empresas têm problemas de caixa e, portanto, há uma atenção especial aos custos. E, quando há atenção particular aos custos, o seguro é um dos mecanismos usados para economizar. De duas formas: na questão dos preços, as empresas buscam valores menores de seguros, ou abdicam de certos tipos de cobertura.

DINHEIRO Seguro, então, é o primeiro custo reduzido em tempos de crise?

FONSECA Não o primeiro, mas é um dos caminhos para cortar custos. Existe um outro fator que afeta. Se as empresas demitem, se reduz a quantidade de emprego, se reduzem as coberturas de vida, de acidentes de trabalho, de seguros-saúde , etc. Esses são os impactos diretos.

DINHEIRO Além do emprego e do corte de custos, há outros fatores que afetam o mercado de seguros?

FONSECA Essencialmente, a redução do nível de atividade econômica.

DINHEIRO O plano de internacionalização da MDS será via clientes ou pela aquisição de concorrentes?

FONSECA A internacionalização será feita por meio das empresas que atendemos e também por aquisições. Estamos inseridos no Brokerslink, uma rede mundial de corretagem, pela qual estamos entrando em novas economias, inclusive as mais complexas. Se as empresas que atendemos decidem investir em alguma nação, vamos junto. Assim tem sido.

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“A China cresce muito, mas é uma economia que não costuma fazer seguros”

Guindaste em obra na China

DINHEIRO Qual a perspectiva de crescimento para o setor neste ano?

FONSECA Seguramente o setor segurador vai crescer acima de dois dígitos, ao passo que as economias emergentes vão crescer um dígito. Portanto, há aqui uma reserva de crescimento interessante. Dentro da América Latina, temos parceiros na Argentina, no México, na Colômbia e no Chile. Todos esses mercados têm sido extremamente atraentes para investimentos em seguros.

DINHEIRO Quais segmentos têm maior potencial de expansão?

FONSECA A MDS é uma seguradora que atua em vários setores. Por questões históricas, temos uma presença muito forte no seguro industrial. Isso quer dizer no grande risco. Queremos manter esse DNA, de ser um corretor forte no risco industrial. Mas queremos nos firmar mais no varejo, no property, nas áreas massificadas.

DINHEIRO Até pouco tempo atrás, o mercado de resseguros no Brasil era fechado. Como a abertura foi recebida lá fora?

FONSECA Sim, era um monopólio estatal. A abertura foi um passo importante para o avanço da economia brasileira e, para nós que somos o quinto maior corretor de resseguros do mundo, fundamental. A abertura, de fato, tem gerado muita atratividade das grandes empresas estrangeiras no Brasil, que moderniza e profissionaliza ainda mais o setor segurador brasileiro. Portanto, criam-se novas alternativas. É agora um mercado que está internacionalizado. E esse é um dos nossos focos.

DINHEIRO No Brasil, o seguro vai crescer mais no varejo ou no grande risco?

FONSECA Em ambos. Na parte do varejo, há um visível aumento do consumo da classe média e um fortíssimo crescimento do poder de compra. Existe um ambiente muito propício também a investimentos na economia brasileira, o que traz oportunidades de fora para dentro. Por outro lado, existem várias empresas brasileiras a buscar mercados lá fora, fazendo aquisições e investimentos fora do Brasil. Essa movimentação amplia o potencial. Sentimo-nos preparados para acompanhar essas empresas e para aproveitar a evolução da economia brasileira.

DINHEIRO A MDS acaba de criar uma nova identidade no Brasil e fundiu operações de três empresas diferentes em uma só. Qual o tamanho dessa nova empresa?

FONSECA A MDS Brasil é fruto do crescimento próprio e também de algumas aquisições. No início de 2009, a Lazam-MDS, formada pela união do Grupo Suzano com a MDS, fez duas aquisições importantes. Juntou a operação em São Paulo e duas empresas, uma no Sul, chamada ADDMakler, e outra no Rio de Janeiro, chamada Miral. Então, hoje a MDS Brasil é resultado da fusão dessas três grandes empresas.

DINHEIRO Como se deu essa fusão?

FONSECA O processo de fusão das operações se iniciou em fevereiro de 2009. Em julho, aconteceu outra coisa importante, a criação de uma joint venture do Grupo Sonae com o Grupo Suzano. Então, até julho do ano passado a relação Sonae-Suzano era puramente brasileira. Nós tínhamos 45% da Lazam-MDS, e eles 55%. Estávamos no País há oito anos. No Brasil era complicado manter três marcas. Era complicado para o mercado, para os clientes, para os compradores. Ficou claro para nós que tínhamos que criar uma empresa única, uma marca comum. A decisão foi utilizar a marca que o grupo já tinha, a MDS. É um nome fácil de usar, reconhecido, sem conotação regional.

DINHEIRO Dentro do Brasil, quais são os planos de expansão?

FONSECA Queremos trabalhar bem nos mercados em que já estamos e que são os locais de maior atividade econômica. O Nordeste nos interessa, mas ainda temos que passar por Minas Gerais. Podemos fazer novas aquisições, de forma cirúrgica, para ampliar a posição.

DINHEIRO Qual o impacto da Copa e da Olimpíada no mercado segurador?

FONSECA São importantes porque geram muitos investimentos e seguros, na

construção civil em eventos, etc. Temos uma posição forte no Rio de Janeiro e estaremos atentos as todas as oportunidades. Evidentemente, queremos tirar proveito disso.

DINHEIRO A MDS Brasil tem a ambição de assumir a liderança no ranking nacional?

FONSECA Olha, a AON e a Marsh são muito fortes. Tenho um grande respeito e admiração pelas duas. Mas se você me perguntasse quais eram as nossas ambições no mercado brasileiro alguns anos atrás, eu projetaria algo mais modesto do que a posição em que estamos hoje. Não sei exatamente o que vai ser daqui a três anos. Posso dizer que nossa posição será muito boa. Prefiro ser surpreendido do que projetar sonhos. Seguramente, queremos ser uma referência.

Fonte: MRE

Projeto de usar moedas próprias entre os Brics vai ser retomado

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Proposta, que nunca saiu do papel, pode dar maior estabilidade às moedas dos países emergentes no comércio entre si.

Diante da ameaça de uma guerra de moedas, o Brasil vai retomar o projeto de usar moedas nacionais para operações de comércio exterior com os países do Bric, grupo que reúne Rússia, China e Índia, além do próprio Brasil. A primeira tentativa será com a Rússia, e pode servir para dar maior estabilidade aos valores das moedas dos países emergentes no comércio entre si.

Para garantir a competitividade de cada economia, governos vêm dando sinais de que não hesitarão em manipular suas moedas e evitar uma sobrevalorização de algumas delas diante do dólar. O problema é que esses sinais têm afetado o setor privado diante da volatilidade do dólar. No caso do uso da moeda local, a estimativa do Brasil é de que pelo menos uma dimensão dessa volatilidade – o uso do dólar – seria superada.

Segundo o embaixador do Brasil em Moscou, Carlos Paranhos, o tema será tratado numa negociação entre os bancos centrais dos dois países no início de outubro, no Rio. “Vamos recolocar o assunto na agenda e tentar um relançamento da ideia.”

Apesar do anúncio pomposo feito há um ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos demais presidentes dos Bric sobre a utilização de moedas nacionais nas exportações, o projeto sofreu atrasos e nunca saiu do papel. Agora, a ideia é retirar o projeto da gaveta.

No caso de Moscou, a resistência veio do próprio governo, que não aceitou a proposta brasileira de que os bancos centrais atuariam como casas de compensação entre as economias. Os BCs agora vão tentar estudar outras formas de garantir a transação.

A princípio, o sistema funcionaria com exportadores russos recebendo em rublos do BC russo por bens vendidos no Brasil. O dinheiro ao BC de Moscou chegaria pelo BC brasileiro, que por sua vez receberia o dinheiro em real de um importador brasileiro. O mesmo ocorreria do lado oposto, permitindo que os BCs atuassem como caixas de compensação. Para Moscou, o uso do BC como intermediário de todas as operações não funcionaria nem seria desejável.

Impacto positivo. Para o governo brasileiro, a medida poderia ter impacto positivo para as exportações. Segundo Paranhos, 60% das exportações de carne do Brasil vão para a Rússia. Em 2008, o comércio bilateral havia atingido US$ 8 bilhões, mas caiu para pouco mais de US$ 4,5 bilhões em 2009 com a crise e com a contração da economia russa. Para 2010, Paranhos acredita que o volume de comércio volte a US$ 6 bilhões.

O uso de moedas nacionais poderia dar nova confiança ao setor privado, segundo o governo. Mas o projeto do uso da moeda nacional enfrenta problemas também com outros parceiros emergentes. Um deles é a competitividade. Setores industriais no Brasil temem que os chineses possam se aproveitar do acordo de comércio na moeda local para aumentar ainda mais suas vendas ao mercado nacional. Nos últimos anos, o Brasil vem adotando várias medidas de restrição às importações chinesas.

Outro problema é o impacto que acordos de substituição do dólar teriam para o próprio valor da moeda. Os quatro países do Bric contam com reservas de US$ 2,7 trilhões, e uma perda de credibilidade do dólar afetaria as próprias reservas.

Fonte: O Estado de São Paulo

Brics tratarão informalmente de criação de nova moeda

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Embora excluída da pauta formal do encontro de

cúpula do Foro Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), que se dará no próximo dia 15, em

Brasília, a criação de uma moeda de referência alternativa ao dólar para as reservas dos quatro

países tenderá a ser discutida nos encontros privados entre os líderes. Segundo o subsecretário

de Assuntos Políticos do Itamaraty, embaixador Roberto Jaguaribe, a questão é de interesse de

todos os membros do grupo, mas há especial preocupação em tratar do tema de forma equilibrada e

cautelosa, sem açodamento. “Jogadas que gerem marolas não são de interesse de ninguém”, afirmou

Jaguaribe.

Segundo o diplomata, as discussões mais profundas sobre o tema devem se dar

entre autoridades dos bancos centrais e ministérios da área econômica dos quatro países em

paralelo à reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial no

final deste mês, em Washington.

Assim como a criação da moeda de referência, outro tema

será tratado de forma secundária na reunião de cúpula do grupo – a adoção de moedas locais no

comércio entre os quatro países. O Banco Central deverá promover um seminário para técnicos

indianos, russos e chineses para detalhar a experiência desse modelo nas trocas entre Brasil e

Argentina. Entretanto, Jaguaribe ressaltou que não há ainda negociação em curso com tal objetivo

nos Brics. “O Bric não quer ser um grupo normativo, como o G-7 (as maiores economias

industrializadas). Não temos pretensão nem capacidade para isso”, afirmou.

Bancos

Bancos comerciais brasileiros, indianos, russos e chineses vão analisar na próxima semana, em

São Paulo, mecanismos para permitir uma participação mais ativa e direta no financiamento do

comércio entre os quatro países. As discussões farão parte dos eventos da Cúpula dos Brics.

Segundo Jaguaribe, uma das iniciativas em estudo é a possibilidade de concessão de cartas de

crédito para as trocas comerciais entre esses países, sem a necessidade de intermediação por

instituições americanas e europeias. Em paralelo à cúpula também serão realizados encontros entre

bancos de fomento dos quatro países, entre cooperativas e think-tanks.

China

O

embaixador afirmou ainda que o reconhecimento efetivo da China como economia de mercado é tópico

que continua em consulta no âmbito bilateral. O tema deverá ser tratado no encontro entre os

presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao, da China, na próxima semana. O líder chinês

participará em Brasília da 2ª Cúpula dos Brics e fará sua segunda visita oficial ao País. “Esse

tema é sempre objeto de consulta. A China quer ultimar esse processo”, afirmou Jaguaribe. “A

dimensão política (do reconhecimento) já se deu em 2004. A dimensão prática depende de etapas em

curso na Câmara de Comércio Exterior (Camex), que interessam ao governo brasileiro que sejam

concluídas.”

O reconhecimento da China como economia de mercado foi a mais polêmica medida

adotada durante a primeira visita de Hu Jintao ao Brasil, por sua capacidade de restringir a

aplicação de medidas de defesa comercial contra produtos chineses. A sua efetividade foi

condicionada à realização de investimentos chineses no País, que ainda estão em suspenso. Segundo

Jaguaribe, esse reconhecimento será automático e inevitável em 2016, quando todos os membros da

Organização Mundial do Comércio (OMC) terão de adotar essa posição.

Fonte: Agencia Estado



Criador dos Brics critica exportação brasileira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, “é muito difícil” que o país seja bem-sucedido apenas como vendedor de produtos primários

Chefe de pesquisa do banco, porém, elogia economia doméstica do país e diz que investimento e consumo devem ser incentivados

DA SUCURSAL DO RIO

O Brasil não pode se conformar em ser exportador de commodities num mundo cujo crescimento é puxado pela China, afirma Jim O’Neill, chefe de pesquisa econômica do banco Goldman Sachs e inventor em 2001 da sigla Bric. “Não é uma estratégia sensata”, disse à Folha, de Londres, em entrevista na qual reafirmou seu otimismo sobre o futuro dos emergentes. Abaixo, os principais trechos. (CLAUDIA ANTUNES)

FOLHA – O Goldman Sachs prevê que em 2050 os atuais Brics (sigla dos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China) estarão entre as cinco maiores economias do mundo. Ao mesmo tempo, a renda per capita dos países do atual G7 continuará aumentando. Os recursos naturais vão aguentar a pressão da demanda?
JIM O’NEILL – A evidência histórica sugere que, após um certo nível de riqueza, normalmente acima de US$ 6.000 per capita, os países começam a se tornar mais eficientes no uso da energia. Isso indica que, em algum momento daqui a dez anos, quando a China e a Índia chegarem a esse estágio, sua demanda por energia e outros recursos começará a diminuir. Outro fator importante é que a China acaba de anunciar um compromisso muito grande com a eficiência energética.

FOLHA – Os EUA relutam em se comprometer com metas de redução de emissões de gases do efeito estufa. Eles deveriam temer perder competitividade se passarem a uma economia de baixo carbono?
O’NEILL – Claro que não, seria bom para eles. Esse argumento é uma estratégia da direita política, que é hostil a essas ideias [de aquecimento climático] e usa isso como desculpa. Acho que a América pode, olhe para o Japão, para o Brasil. Desde os anos 80, no mundo desenvolvido, o Japão vem demonstrando como aumentar a eficiência energética. Não há muitas coisas que podemos aprender com o Japão, mas essa é uma delas. No mundo emergente, o Brasil está bem à frente de outros países.

FOLHA – Se a demanda chinesa e indiana por recursos naturais tende a diminuir, isso corrobora os que no Brasil alertam para o risco de o país se tornar um exportador basicamente de commodities. Como o senhor vê esse problema?
O’NEILL – Não acho que seja uma boa coisa para o Brasil ser. Acho que é muito difícil ser permanentemente bem-sucedido apenas como exportador de produtos primários. Não é uma estratégia de longo prazo sensata.

FOLHA – Mas o que o Brasil pode fazer agora para evitar isso?
O’NEILL – Eu admiro bastante os esforços para tentar conter a valorização do real. Acho que é bom desencorajar a doença holandesa [excesso de ingresso de capitais]. Não sou especialista em Brasil, mas acho que a chave é, como em outros países que se desenvolveram, encorajar mais pesquisa e desenvolvimento, para entrar em áreas de valor agregado nas quais seja difícil para outros competirem.

FOLHA – Em 2030, a Ásia deverá ser responsável por mais da metade da economia mundial. O que isso significa em termos de transformação do sistema econômico global e de desafio para as outras regiões em desenvolvimento?
O’NEILL – Há três consequências. Primeiro, significa que a estrutura de governança da economia mundial tem que mudar dramaticamente. É muito importante que isso seja modificado, de modo que o papel do G20 passe a um grupo menor, uma nova forma de G7. Em dez anos, provavelmente precisaremos dos seguintes países no G7: EUA, China, Índia, Japão, Brasil e a União Europeia, com um só representante. Nada de Canadá, Reino Unido, Alemanha, França ou Itália. Em 20 anos, poderemos ter um sistema de câmbio diferente do que temos hoje [em que o dólar é a moeda de referência]. Em segundo lugar, na próxima década muitos países da África e da América Latina se beneficiarão do crescimento da Ásia, pelo fato de serem fortes produtores de commodities. Sua estratégia de longo prazo dependerá das características de cada um deles. Um país como o Brasil, que tem uma população grande e uma demografia favorável, é perfeitamente capaz de cuidar de si. A grande história para o Brasil é a sua economia doméstica, não o resto do mundo.

FOLHA – Desenvolver o mercado interno, o senhor diz?
O’NEILL – Sim, a chave para a política brasileira é não se preocupar com essas coisas de comércio global. O Brasil deve se concentrar em manter a inflação estável e fazer coisas para apoiar o desenvolvimento do consumo doméstico e do investimento interno.

FOLHA – E a terceira consequência?
O’NEILL – Está ligada ao comércio internacional. Você tem que focar em desenvolver uma vantagem, setores competitivos com maior valor agregado, o que envolve pesquisa e desenvolvimento. A Alemanha é o melhor exemplo disso. De alguma forma, ela parece capaz de lidar com uma moeda valorizada [o euro].

FOLHA – Qual o impacto econômico dos sistemas políticos nos Brics?
O’NEILL – No caso da China, acho que, à medida que a renda dos chineses aumente, a atual forma da ditadura chinesa terá que mudar. Provavelmente continuará sendo, nos próximos 20 anos, um Estado de partido único, mas terá que permitir maior liberdade. A grande coisa que está acontecendo na China agora é o aumento dos gastos governamentais na área social. Nas últimas duas semanas, concordaram em dar aos trabalhadores migrantes os mesmos direitos dos urbanos, incluindo acesso a tratamento de saúde. A China já está começando a mudar.

FOLHA – O fato de o Brasil ser uma democracia é fator de pressão sobre os gastos do Estado. O senhor considera o gasto público brasileiro um problema?
O’NEILL – Falando no longo prazo, o Brasil precisa reduzir o desperdício nos gastos governamentais.

“Um país como o Brasil, que tem uma população grande e uma demografia favorável, é perfeitamente capaz de cuidar de si. A grande história para o Brasil é a sua economia doméstica, não o resto do mundo”

Fonte: Folha de São Paulo

“Rapidinhas”

terça-feira, 16 de junho de 2009

+China anuncia empréstimo de US$ 10 bilhões para bloco asiático
O presidente chinês Hu Jintao anunciou que a China disponibilizará um empréstimo de US$ 10 bilhões para um grupo regional que inclui a Rússia e outros quatro Estados asiáticos. O movimento amplia a influência chinesa na Organização de Cooperação Xangai, bloco de países asiáticos.

+Brics querem ser alternativa ao G-7
Chefes de Estado e de governo de Brasil, Rússia, Índia e China – os chamados Brics – realizam hoje, em Ecaterimburgo, na Rússia, a primeira reunião de cúpula dos grandes emergentes com dois objetivos precisos. O primeiro é oficial: coordenar ações em áreas como a reforma do sistema financeiro.

+Inflação no Reino Unido cai para 2,2% ao ano em maio

A inflação no Reino Unido caiu no mês de maio para 2,2% ao ano, o menor nível em um ano e meio. O índice ficou abaixo dos 2,3% registrados em abril, mas superou os 2% previstos por economistas consultados pela Dow Jones. Em termos mensais, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês).

+Tema da reunião dos BRIC, substituição do dólar é vista com ceticismo
A discussão sobre uma alternativa ao dólar, que estará na pauta da primeira reunião dos chamados BRIC, é vista com ceticismo por economistas ouvidos pela BBC Brasil. Os governos de Brasil, Rússia, Índia e China estão preocupados com a desvalorização da moeda americana e com o impacto dessa queda.

+Comércio entre China e Rússia sofre queda de 39%
O comércio entre China e Rússia caiu pela primeira vez em uma década, com uma baixa de 39,2% nos primeiros cinco meses do ano, totalizando US$ 13,5 bilhões, informou a agência oficial de notícias Xinhua.   Segundo Gao Hucheng, vice-ministro de Comércio chinês, “as importações chinesas provenientes

+Banco central do Japão mantém taxa de juros em 0,1%
O Banco do Japão (BOJ, banco central do país) elevou sua avaliação sobre a economia pelo segundo mês consecutivo, encorajado pelos sinais de que o pior da crise econômica já passou. O conselho de política monetária do BOJ também decidiu por unanimidade deixar inalterada, em 0,10%, sua taxa básica.

+MP move ação contra McDonald’s, Bob’s e Burger King
O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo informou hoje que entrou com ação civil pública, com pedido de liminar, para que as redes de lanchonetes McDonald”s, Bob”s e Burger King suspendam as promoções que casam venda de lanches com brinquedos. As redes Burger King e Bob”s informaram, por meio de nota oficial.

+Lima defende fatia maior do governo na Petrobras

O diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, voltou a defender hoje o aumento da participação do Estado na Petrobras. Atualmente, a União detém 32,2% do capital social da empresa, fatia considerada pequena por Lima. “A nossa inserção dentro da Petrobras é precária.

+Marco regulatório do petróleo prevê nova estatal, diz ANP

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo Gás e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, confirmou nesta segunda-feira, 15, que a proposta apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o novo marco regulatório do setor de petróleo prevê a criação de uma nova empresa estatal.

+BRICs vão superar economias ricas em duas décadas, prevê pai do termo
De acordo com as projeções revisadas do economista Jim O’Neill, chefe da área de pesquisa econômica global do banco de investimentos Goldman Sachs, em 2027 a economia da China vai ultrapassar a dos Estados Unidos, fazendo com que o grupo dos países reunidos na sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China)

Fonte: Portal O Estadão